Hoje, habitam o planeta 6,8 bilhões de pessoas. Das quais
- 1,2 bilhão são desnutridos crônicos;
- 2 bilhõs não têm acesso a medicamentos;
- 884 milhões vivem sem água potável;
- 924 milhões estão sem teto ou se abrigam em moradias precárias;
- 1,6 bilhão não dispõem de eletricidade;
- 2,5 bilhões não contam com saneamento básico;
- 774 milhões de adultos são analfabetos;
- 18 milhões morrem, por ano, devido à pobreza, a maioria crianças com menos de 5 anos;
- 218 milhões de jovens, entre 15 e 17 anos, trabalham em regime de semiescravidão.
Entre 1988 e 2002, os 25% mais pobres da população tiveram sua participação na renda mundial reduzida de 1,16% para 0,92%. A parcela 10% mais rica, que antes dispunha de 64,7% da riqueza mundial, ampliou sua fortuna, passou a dispor de 71,1%. O enriquecimento de uns poucos tem, como contrapartida, o empobrecimento de muitos.
Apenas este aumento de 6,4% da fortuna dos mais ricos seria suficiente para duplicar a renda de 70% da população mundial! O que significaria salvar milhares de vidas e reduzir a penúria e o sofrimento dos mais pobres. Tal benefício se obteria tão somente redistribuindo os ganhos adicionais, entre 1988 e 2002, dos 10% mais ricos da população mundial, sem tirar um centavo de suas fortunas. Infelizmente tal medida soa odiosa para as classes dominantes do capitalismo mundial.
Segundo Atílio Boron, "se não se combate a pobreza (nem se fala em erradicá-la sob o capitalismo) é porque o sistema obedece a uma lógica implacável centrada na obtenção do lucro, na concentração de riqueza e no aumento incessante da pobreza e da desigualdade econômico-social."
Se 2/3 da humanidade vivem, segundo a ONU, abaixo da linha da pobreza (=renda mensal inferior a US$60), não se pode considerar o capitalismo um sistema exitoso. Como o socialismo do Leste europeu, ele também fracassou. A diferença é que fracassou para a maioria da população mundial. E entre aqueles que celebram equivocadamente sua vitória - para eles, bem entendido -, a maioria não se dá conta de que o capitalismo causa desagregação social, destruição do meio ambiente, corrupção política, crise moral e incremento de conflitos bélicos.
Na América Latina, embora o PIB continental possa crescer cerca de 4% este ano, há muita disparidade no interior dos países. No Brasil, por exemplo, Brasília é nove vezes mais rica que o Piauí. Há territórios vencedores e perdedores. O desafio é crescer para igualar, e o Estado deve cumprir um papel mais ativo nesse sentido, e não deixar a tarefa para o mercado.
Segundo a CEPAL, para reduzir essa iniquidade, os países com menor gasto social teriam que investir entre 6% e 9% do PIB para assegurar cesta básica mensal à sua população menor de 5 anos, ao grupo com idade acima de 65 anos e aos desempregados. No caso das crianças entre 5 e 14 anos, o cálculo se baseia na metade da cesta. O custo para as nações com maior gasto social oscilaria entre 1% e 1,5% do PIB e, para os países intermediários, entre 2% e 4%.
* Texto retirado da revista Caros Amigos, edição nº 162, de setembro 2010, p. 19. Coluna Frei Betto. *
domingo, 17 de outubro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário