sábado, 29 de maio de 2010

Agronegócio + veneno

Olá camarada!
Estava lendo a revista Caros Amigos, da qual sou assinante há vários anos e me deparei com um texto assinado pelo J. P. Stedille, que sempre escreve na revista sobre questões relacionadas à agricultura. Dessa vez na edição de maio 2010 (ano XIV, nº 158) ele afirma que O AGRONEGÓCIO SÓ PRODUZ COM VENENO. Abaixo, uma reprodução do texto para aqueles que não têm a revista mas gostariam de ler sobre o que o Stedille trata.

Todos os dias a grande imprensa faz apologia ao agronegócio. Seriam eles que abastecem nossa população de alimentos, salvam a balança comercial, dão emprego aos pobres do campo e até sustentam a economia brasileira nas costas. QUANTA MENTIRA JUNTA!

Os grandes proprietários de terra são também capitalistas na cidade, e muitos deles têm ações e vínculos com as empresas da mídia. A associação brasileira de agronegócio tem apenas 50 SÓCIOS, transnacionais, grandes cooperativas capitalistas e, pasmem, também a REDE GLOBO E O GRUPO O ESTADO DE SÃO PAULO!!!! Ultimamente a REDE BANDEIRANTES tem batido forte na questão agrária brasileira, abrindo inclusive um canal especialmente para tratar dessa atividade (TERRA VIVA). O que se vê, é uma propaganda totalmente voltada para o grande proprietário de terras. Quando trata do médio ou até pequeno, é para tentar desvirtuar a diferença existente entre esses dois mundos agrícolas. O grifo é meu.

Mas, infelizmente, a realidade do agronegócio é outra.

O agronegócio se baseia na produçaõ em grande escala, em lavouras de monocultivo - de uma só planta. Usam muita máquina e, portanto, desempregam, além de muito veneno, para matar todos os seres vivos que existam naquele espaço, sejam vegetais ou animais. Somente sobrevive o produto que eles plantam.

CERCA DE 80% das terras utilizadas pelo agronegócio de destinam a apenas QUATRO PRODUTOS: SOJA, MILHO, CANA E PECUÁRIA BOVINA. E grande parte dessa produção vai para exportação. No entanto, quem controla as exportações SÃO TRANSNACIONAIS. por exemplo, o Brasil é o maior exportador mundial de soja. Exportamos 40 milhões de toneladas em grãos, ainda como matéria-prima. E quem ganha com essas exportações? CINCO transnacionais: BUNGE, CARGILL, ADM, DREYFUSS e MONSANTO.

O Brasil se transformou no MAIOR CONSUMIDOR MUNDIAL DE VENENOS AGRÍCOLAS. São 720 milhões de litros de venenos. Matam os demais seres vivos, afetam a fertilidade do solo, contaminam as águas do lençol freático e ficam resíduos nos alimentos que você consome.

E quem produz? A BAYER, BASF, SYNGENTA, MONSANTO e SHELL QUÍMICA. Nenhuma empresa brasileira. Pior, a ANVISA já confiscou e incinerou milhares de litros adulterados pelas empresas BAYER, BASF e SYNGENTA. Uma delas chegou a adicionar um perfume para deixar o veneno mais aceitável.

Já foram registrados pelas universidades xasos de chuva com veneno agrícola, em cidades do Mato Grosso. Na região de Ribeirão Preto (SP), a água potável já aparece em incidência dos venenos da cana.

Dos 17 MILHÕES de TRABALHADORES da agricultura brasileira, APENAS 1,6 MILHÃO ESTÃO NO AGRONEGÓCIO; os demais, na AGRICULTURA FAMILIAR.

Todos os anos, os bancos públicos disponibilizam 90 BILHÕES de REAIS, da poupança nacional, para que o agronegócio plante. PARA A AGRICULTURA FAMILIAR SÃO MENOS DE 8 BILHÕES. Pior, o Tesouto Nacional, o dinheiro de nossos impostos, precisa repor aos bancos a diferença entre o juro pago pelos fazendeiros e o juro de mercado. E isso custa por ano UM BILHÃO DE REAIS. Muito mais do que os recursos para a reforma agrária.

A POLÍCIA FEDERAL tem encontrado trabalho escravo, em média em uma fazenda por mês. Mas dorme na Câmara um projeto que determina a desapropriação das fazendas com trabalho escravo. Os parlamentares ruralistas não aceitam.

Creio que esse texto explica, em parte, os grandes problemas enfrentados pelo campo no Brasil, desde que ele foi conquistado pelos navegantes portugueses e outros. Se você for olhar nossa história, lá no comecinho...você verá como eram os esquemas para se obter terras nessa região do mundo recém descoberta, a quem elas eram oferecidas. Depois, como elas foram sendo readquiridas, incorporadas, emcampadas, griladas, "compradas". O tempo passou, o que mudou, em muitos casos, foram os métodos utilizados.
Abs,

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